Santo André - Camamu - Salvador

De paraíso em paraíso, vamos seguindo em frente.

Vinte e seis horas depois de deixarmos Santo André, ancoramos em frente ao Campinho, na baía de Camamu, na maré cheia como esperávamos. Chegamos, comemos um arroz de carreteiro "a la soborô" que estava muito gostoso e tentamos adivinhar o que nos esperava em terra. "- Acho que aí é um bar..."-"Mas está fechado." Vamos descer, não vamos... anoiteceu... já estávamos desistindo da idéia do bar mas eu e o Igor queríamos muito descer... botei uma pilha: "- Olha, tem duas motos ali, vamos lá!" Chegamos no "bar do Régis", e a surpresa foi ótima quando chegaram a nossa mesa duas cervejas estupidamente geladas! Segundo o Márcio o pessoal da Bahia sabe servir bem uma cerveja! Pedimos dois peixinhos fritos, que o Henrique foi escolher lá na cozinha e que vieram deliciosamente acompanhados de farofinha amarela e vinagrete - Ai que delícia! O Igor se divertiu a valer, finalmente na praia (mesmo que noturna), e para coroar, uma praia cheia de crianças! Nem precisa dizer que correu até e ficou com areia da cabeça aos pés...



Lá pelas tantas, conversando com o pessoal local comentamos que no dia seguinte subiríamos o rio até Marau. Papo vai e papo vem finalmente fomos convencidos de que seria melhor ir com um prático... Estávamos com os waypoints do Helio Magalhães, as dicas do Marçal, e o Fabio bastante tranquilo com a entrada, mas...combinamos para o dia seguinte na preamar (maré totalmente cheia), o que seria por volta do meio-dia.

No dia seguinte fui com o Igor curtir mais um pouco de praia e crianças. O Rafael e o Ramon (ambos por volta de 8 anos) nos levaram para passear no mangue, dando uma verdadeira aula desse ecossistema. Cada conchinha ou peixinho que pegavam na mão nos diziam o nome, se podia comer ou não, se era macho ou fêmea e as vezes até como preparar... incrível! Conhecemos as conchas chamadas búzios (que o pessoal come bastante e faz até moqueca), a lambreta e a rala coco, o tamaru (que parece um camarão mas se usa como isca). Pegamos siris, peixinhos e camarõezinhos. Depois voltamos para a areia, e o Igor queria fazer buraco. Começamos com a sua pazinha de plástico, mas o Ramón logo chegou com a pá de seu pai, duas vezes o tamanho dele. Sozinhos os meninos fizeram um buraco quase maior que o Igor. E adivinha onde ele foi parar?

Brincamos com os periquitos de estimação dos meninos, pegamos coco que o Rafael abriu pra gente. Foi uma manhã fantástica!

Ao meio dia embarcamos o prático e começamos a subir o rio. A paisagem aqui é um deleite, bastante virgem ainda, o Rio Marau é cheio dos cantinhos paradisíacos! O rio é largo e tem algumas coroas, mas o maior problema são as pedras que no passado foram jogadas no rio pelos índios e colonos locais na tentativa de impedir a entrada de invasores ingleses e holandeses. Íamos bem, mas não sei por que cargas d'água o "quase prático" decidiu passar pelo lado de dentro da ilha Germana. Confiando em suas habilidades, seguimos suas indicações... foi ficando raso, bem na curva onde o vento nos pegava pelo través de bombordo, tentávamos escapar das pedras a sotavento. Juntou o vento mais a correnteza do rio e "Bum!!", passamos por cima de uma pedra! Que susto! Ficou aquele clima... Depois é que descobrimos que o menino nunca tinha levado veleiro rio acima... Ainda bem que o barco é bem forte! Chegamos em Marau, pagamos e desembarcamos o "desprático".(Na volta seguimos os waypoints do Hélio e foi ótimo, o ponto mais raso que passamos foi 6 metros - com maré cheia).

Ancoramos bem em frente a cidade. Descemos para a inspeção da temperatura das cervejas - geladésimas! Teoria comprovada, na Bahia tem cerveja gelada!

Mas o gelado que eu e o Igor queríamos era outro... e desde Santo André eu já vinha prometendo - Sorvete! "- Moça, aqui tem sorveteria?" e ela me olhando como se eu tivesse perguntado algum absurdo disse que até tinha, mas era lááá em cima, no colégio. "Se o sorvete é bom eu não sei não, mas é o único que tem." Subimos a ladeira, tiramos fotos, vimos o por do sol, mas quando chegamos lá em cima estava fechada... Descobrimos que justo agora era o intervalo das atividades do colégio e o sorveteiro foi pra casa tomar banho e já voltava... Desce ladeira, vamos atras de algo que substitua o sorvete - missão difícil!

Enquanto os meninos ficaram para as saideiras me animei para subir ladeira de novo, quem sabe dou sorte! Fechada. Dessa vez esperamos até abrir, e finalmente tomamos nosso tão desejado sorvete!

Para o dia seguinte reservamos um barquinho para nos levar até a cachoeira do Tremembé. Depois da pedra desanimamos de ir com o Planckton... O passeio foi delicioso, bem pertinho do mangue, bem tranquilo. E o lugar é imperdível!! Tem o Sítio Veneza, do Nilton e da Ada. Lá a energia é gerada por uma roda d'água (o gerador tinha sido reinstalado havia 15 dias.

Eles ficaram 5 anos sem energia elétrica). O casal é cativante, super simpáticos e disponíveis! Comemos uma moqueca de Pitu que estava maravilhosa - da água na boca só de lembrar! Ah, meninas, levem um dinheirinho extra para as bijouterias naturais de dendê e piaçava - Lindas! Depois de um relax na rede e um passeio até os poços de cima das cachoeiras começamos a nos despedir e preparar para voltar. Ganhamos alguns jambos e os ovos que a galinha botou na churrasqueira - presente de reis!

Mais um dia e já era sábado. E daí? Todo sábado tem feira em Marau! Não dá para perder uma feirinha local, conhecer os costumes, as comidas, os moradores - imperdível. Mas se for pra comprar mesmo tem que ir na sexta-feira a noite, quando começam a chegar os feirantes... como chegamos no sábado não muito cedo não tinha mais muita coisa. Mas deu pra comprar os carangueijos e a carne de sol que o Henrique combinou de levar para a Eliete, esposa do Régis, preparar pra gente. De quebra passamos na padaria e compramos broas e biscoitos para a criançada do campinho.

Quando chegamos o pessoal logo desceu com as mercadorias. O Igor estava dormindo, esperamos ele acordar mas ele emendou até o dia seguinte. Ficamos eu Fabio e Igor. Em terra a festa foi boa, o Marcelo fez um grafite no bar do Régis com ajuda da criançada e como era aniversário de um dos meninos tinha até bolo!

E assim foi nossa passagem por Camamu, deixando uma vontade doida de ficar por ali mais um pouquinho...

Saímos as 6 horas da manhã. Vento SW fraco, por volta de 4 nós. Seriam 65 milhas, que completamos em 10 horas.


No través de Itacaré vimos muitas baleias! Duas vezes fomos obrigados a mudar o rumo para desviar delas! Elas passavam em grupos atravessando na nossa proa! E já com gostinho de despedida fomos curtindo procurando mais e mais no horizonte... daqui pra frente a água vai ficando mais quente e elas serão raras.

Descobrimos que sair antes do café da manhã não é muito bom para o Igor. Talvez pelo estômago vazio... ele enjoou e vomitou. Mas é um guerreiro esse menino, e não perde o bom humor. Já está aprendendo a perceber quando está enjoado e se consegue dormir é ótimo, passa quase desapercebido.

Salvador é uma festa! No CENAB encontramos: Luthier, Animamare, Fram, Saga...Isso aqui tá bom demais!

Mas, são histórias para o próximo capitulo, com direito a saída d'água e tudo o mais.

Queremos agradecer aos nossos tripulantes! Foi um privilégio e uma grande alegria viajar com vocês no Planckton!

Próximo: Salvador - Fora da água pela 2a vez
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