Travessia, Tobago e Grenada

Olá,

Saudações da família Planckton!

Pois é, estamos no Caribe!! Dá pra imaginar como estamos felizes por estar aqui? Sentimos como nesses rituais de passagem - para a vida adulta, para o casamento... Nos últimos dias no Brasil estávamos felizes, mas super ansiosos, receosos de esquecer de algo, com medo de ser muito difícil para o Igor, preocupados com a infindável lista de tarefas... o bom é que não tínhamos compromisso com data! O pessoal do Iate Clube do Natal começou até a duvidar se iríamos embora mesmo...

Zarpamos, nós três e o Bruno (nosso tripulante que pela primeira vez estava em um veleiro em movimento), dia 30 de dezembro, depois do almoço. A saída da barra estava irreconhecível de tão tranquila. Começamos então nossa travessia com vento de uns 15 nós pela alheta e mar de almirante. Velejamos com o Gennaker durante dois dias, recolhendo a noite por precaução. A dança de subir e rizar a vela foi intensa durante alguns dias, devido aos pirajás.

Nossa celebração de início de ano teve até "dança maluca" no cockpit, todos de banho tomado e roupa nova! Dia 2 cruzamos o equador. Fiquei imaginando se foi porque não fizemos nenhum ritual na passagem do equador e Netuno ficou bravo e nos mandou um mar bastante desencontrado e ventos mais fortes com rajadas de 28 nós... (eu, Igor, Bruno e o Planckton estávamos cruzando pela primeira vez!). Mas na verdade foi uma pequena "prova de fogo".

Com muito spray no cockpit ficávamos o dia inteiro dentro do barco, que todo fechado fica razoavelmente quente...pois é, bastante desconfortável. O bom é que como temos bastante água tomávamos banho no final do dia. O acontecimento mais importante foi que esses dias marcaram uma nova era a bordo do Planckton, a era do DVD. Assistimos a "Era do gelo" umas 30 vezes!.. e começamos a pensar se será necessário mais uma placa solar, ou talvez um eólico, para acompanhar esta evolução!

Para o Igor a travessia foi ótima. Gostava de ficar andando de um bordo ao outro se balançando. Um dia soltou todo orgulhoso "- Precisa de coragem para andar nesse barco balançando!" Antes do banho fazíamos "praia" na popa, com muitos baldes de água do mar.

Falamos no SSB com o Miguel (na Argentina) e com o Ephemeros que estavam uns 3 dias na nossa frente. A travessia durou 13 dias ao todo, de Natal até Tobago. Nos dois últimos dias o vento nos deixou na mão, ventando em torno de 6 nós. Conseguimos pescar um wahoo de uns 4kg, e até costuramos a bandeira de Tobago, com máquina de costura e tudo!! E acabamos chegando no motor...



Tobago foi uma boa surpresa! A vegetação e os morros altos lembram muito a Ilha Grande no Rio, mas a água é mais transparente. Ancoramos em Charlotteville, uma vila de pescadores muito simples e rústica, e todos nos fizeram sentir muito bem vindos. Os precedimentos de imigração foram rápidos e sem maiores problemas. Tínhamos atum e cavala frescos todos os dias. Os pescadores descobriram que a gente gostava e vinham todas as manhãs nos oferecer. O Igor adorou né! "-Tem shoyu mamãe?" e ficava aborrecido quando eu preparava o peixe assado. Mas gostou do "arroz de carreteiro de atum" que inventei! O pessoal do Ephemeros aderiu a moda do sashimi também, fizemos juntos algumas vezes (vale a pena visitar o blog http://veleiroephemeros.blogspot.com, está ótimo!).

Conhecemos alguns cruzeiristas, fizemos pic-nic na praia, passeamos de carro, mergulhamos... delícia! Tobago não é um lugar caro, mas já começamos a sentir falta das frutas e legumes. Poucos e muito caros...nem tudo é perfeito.

Depois de nove dias seguimos em direção a Grenada. Ao mesmo tempo que queríamos zarpar, para poder aproveitar a temporada, também queríamos ficar, pois ancoragem tão tranquila e com tão poucos barcos seria rara dai pra frente. Saímos no final da tarde, pois seriam apenas 12h de navegação. Chegamos em Prickly bay e à primeira visão da baía todos soltaram um "- oooh". Muuuitos barcos! E ao chegar mais perto outro "-ooh" barcos enormes!

Os procedimentos de imigração foram chatos e tomaram o dia inteiro. Não tínhamos visto e tivemos de pegar um táxi até Saint George's, a capital. Levamos bronca por não ter o visto antes de chegar, mas quando perguntamos onde poderíamos conseguir o visto no Brasil a resposta foi "- No Brasil não tem, só na Venezuela". Sem comentários... Ficamos exaustos!

Ficamos poucos dias em Prickly bay, e mudamos então para Le Phare Blue Marina. A turma do Ephemeros foi visitar algumas marinas e decidiram vir pra cá, e nós viemos também... Depois de tantos dias alguns dias de marina são muito bem vindos! E que marina! Vaga em pier flutuante, água, piscina, mercado, lavanderia, ótimos banheiros, dois restaurantes, água transparente, caiaques a disposição... E aqui estamos, lavando o barco, lavando roupas, arrumando aqui e ali, abastecendo; a faina toda de barco...no paraíso! Eta vida dura.

Próximo: Carriacou - Grenadines
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