Vitória - Abrolhos - Santo André

Olá,

Saudações da família Planckton!

Em Vitória-ES passamos os dias curtindo o melhor da vida de cruzeirista - os encontros e reencontros! A turma do Vagamundo veio nos apresentar o seu novo capitão - João, que brincou com o Igor no cockpit do Planckton. Conhecemos o pessoal do Ephemeros que estão se preparando para subir até o Caribe no final do ano, e Jan e Marije do veleiro holandês Saga, com a proa também apontada para o Caribe. Outra figura interessante, que se você passar pelo ICES terá grande chance de conhecer é o Pitagoras, um personagem! Ficou tão empolgado com a história do Marcelo e suas pinturas que o ajudou a vender o quadro do clube (trocou por uma máscara de mergulho!) - gente finíssima!

Na sexta-feira dia 07 entrou um ventinho S, e ficamos animados, mas os novos tripulantes só chegariam no sábado, que é claro, amanheceu NE... decidimos sair no domingo dia 09. E foi assim, com uma tripulação incrivelmente heterogênea, que saímos de Vitória rumo ao Arquipélago de Abrolhos. Eramos sete: Marcelo, Angelo , Márcio Henrique, Henrique e nós três.

Vento não tinha muito, mas um marzinho contra bem chato e um pouco de chuva pra completar o cenário. E a tripula mandou muito bem!! Pescamos 3 peixes - duas sororocas e um baiacu (este devolvemos para o mar). Na hora do sashimi não tem pra ninguém - O Igor come tudo! E ficamos loucos para pegar mais peixes. Baleias? Muuuitas baleias! Em alguns momentos podíamos olhar em todos os pontos cardeais e ver um esguicho ou um rabo ou um salto... Foi incrível! O vento cooperou e virou para Leste assim deu pra velejar quase a noite toda! Delícia!

Em Abrolhos fomos super bem recebidos, como sempre. Pegamos uma poita do Ibama ao lado sul da Ilha. Estávamos cansados, mas felizes! Matamos saudades da grande amiga Berna e fizemos novos amigos. O sargento Kassio, o Felipe (do Ibama) e a Priscila (filha do encarregado da ilha Sargento Isaias).

Fizemos vários passeios, mergulhamos ( o Fabio até foi com o Titan mergulhar em um naufrágio), demos a volta na Siriba, e sempre que o Igor pedia praia chamávamos o Radio Farol, pedindo autorização para descer e curtir uma praia (já tínhamos uma autorização emitida pelo Distrito Naval de Salvador). O veleiro Fram chegou no mesmo dia que a gente, já de noite. No segundo dia o vento virou e tivemos que mudar para o lado norte da Ilha Santa Bárbara. O Marcelo que estava fazendo uma pintura do Farol acabou ficando pra trás, e captou muito bem a chegada da frente fria. Nem precisa dizer que o pessoal da Ilha adorou!

O Fram aproveitou o vento e foi embora na manhã seguinte, mas a gente ainda queria mais um pouquinho... A Berna nos levou até o ponto fixo e descemos até a praia das tartarugas, o ponto alto do passeio! Na volta tomamos um cervejinha gelada com os oficiais que não estavam trabalhando e batemos muito papo! No quarto dia, querendo ficar mais, fomos arrumando o barco, cada um fez seu último mergulho e as 14h zarpamos rumo a Santo André. Queríamos chegar lá na maré cheia!

Eta que isso aqui está cada vez melhor! A tripulação conseguiu um entrosamento e harmonia muito interessantes. Depois de 107 milhas e 18h chegamos em Santo André.
Com vento a favor - SE - abrimos a genoa, mas não tinha vento suficiente para manter a média da velocidade para chegar lá na maré cheia...e o vento de porão continuou nos empurrando...Quem disse que no mar não tem compromisso nem pressa? E ainda por cima o trânsito estava congestionado de baleias por todos os lados!

Como é gostoso Santo André! Dizer que fomos super bem recebidos é pouco para falar da hospitalidade da Ana e do Aloísio (restaurante Gaivota)! Banho, comida boa, cerveja gelada, bom humor... Estávamos todos felizes por estar ali! O que fazer em terra? Churrasco!! De peixe (já que o Igor comeu tudo o que pescamos compramos 3 vermelhos sarados - o pessoal aqui chama de dentão). Nem precisa dizer que rolou aquele churrasco de primeira!

A ancoragem desta vez deu bastante trabalho e botou o guincho para funcionar! Guarramos várias vezes, e fomos mudando de lugar... até chegar em frente a outro restaurante, onde gentilmente nos cederam uma poita e uma mangueira de água para lavar e abastecer o barco! A poita não garrou, mas era um pouco raso e a maré era de lua nova...

No domingo eu, Fabio e Igor fomos visitar os meus tios Beto e Katia e a vó Nair em Porto Seguro, deixando os 4 mosqueteiros de boat-sitter do Planckton. A visita foi excelente! Comemos uma paella maravilhosa e matamos um pouquinho a saudade.

Mas em Santo André o dia foi um pouco mais emocionante... com a maré baixando a correnteza muda... e o Planckton foi mais para o raso e ficou um pouquinho inclinado. Mas a turma estava empenhada e não saíram mais do barco até a gente voltar. Porém, como não adianta se estressar... chegamos tarde e com preguiça de mudar o barco de lugar àquela hora... decidimos encarar mais uma inclinada na próxima maré baixa, que seria por volta das 8h da manhã seguinte... Foi uma experiência, digamos, um tanto exótica, ficar inclinado 30° parado!

Na segunda-feira nos despedimos do Angelo. Ninguém falou nada, mas ficou aquele clima que as despedidas deixam no ar... um pouco melancólico.. E o Igor a toda hora perguntava - "Adê o Angel mãe? Batuba o filhos dele?". O que salvou é que o Henrique decidiu não ir embora, mas seguir até Salvador (depois da autorização oficial da Roseli é claro!)

Adiamos nossa saída para o dia seguinte porque precisei ir médico em Porto Seguro. O Márcio foi comigo e me deixou na porta da clínica. Foi reconfortante! A companhia e o bom papo ajudaram a quebrar a ansiedade... A lotação até Porto foi bem brasileira: um uno preto que nos levou pelo mesmo valor do ônibus, mas que no posto da polícia não podia dizer que é lotação. Aí entra o mergulhador que caça lagosta usando compressor e arpoou um mero há dois dias atrás, mas sem o pessoal do Ibama saber... Brasil o país da contravenção...

Ganhando mais um dia encontramos a turma do Macanudo e do Minerin que haviam chegado no final de semana. Despedidas e reencontros é que não falta nessa vida de cruzeirista. O Marcelo aproveitou o dia extra e fez as suas pinturas na parede do Gaivota. E de brinde ainda grafitou a menina da bike na parede da escola. O dia foi divertido!

Combinamos de sair todos juntos - Minerim, Macanudo e Planckton seguindo um barco local guiando o comboio. Nessa hora surge atrás de nós algo difícil de descrever... uma embarcação? uma balsa? um trio elétrico? uma arquibancada flutuante? Esta coisa da CVC, a toda velocidade, tocando Ivete Sangalo, sem que a gente conseguisse identificar quem das 200 pessoas a bordo estava no comando, veio nos empurrando para o raso, e as pessoas na proa fazendo sinais para sairmos da frente (seus lerdos!) ... aceleramos um pouco, cuidando para não chegar muito perto do Macanudo, e UFA! Passamos! Foi no mínimo bizarro!

E foi assim que abrimos para mar aberto, deixando os recifes por bombordo e seguimos rumo a Baía de Camamu à 161 milhas de distância (26 horas), com vento fraco de SSO.


Próximo: Santo André - Camamu - Salvador
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